Ainda soa estranho falar que estarei na Bienal 2026 como expositora e não apenas como visitante, como da última vez. É tão estranho e diferente que até mesmo escrever ou postar sobre isso parece não ser real e estar num lugar esquisito entre a realidade e o sonho de uma adolescente que escrevia fanfics (horríveis!!!) no Orkut no começo dos anos 2000.
Meu livro vai estar no meio de tantos outros livros de autoras que amo e admiro. O livro que saiu da minha cabeça em um momento não muito bom da minha vida e que me deu um lugar seguro para estar.
“Driblando as Regras”, que veio a este mundo como uma fanfic pra um especial da Copa de 2018 sob o nome de “La Excepción”, vai à São Paulo para o maior evento literário da América Latina de forma física pela primeira vez.
É estranho pensar nisso, porque até outro dia era só um arquivo no Word e acabou tomando proporções que eu não imaginava que tomaria. Esteve em sites de fanfics (FFOBS, FOFIC, Wattpad), depois esteve na Amazon sob o mesmo nome da fanfic, em outra versão (bem ruim, precisamos trabalhar com os fatos) até que, por fim, ganhou a versão definitiva que tomou forma física e virtual.
Tenho muito a dizer sobre essa história, mas os pensamentos se embaralham antes de formarem uma ideia entendível e acho que nunca terei palavras suficientes para expressar o quanto a amo e sou grata pelo que ela me proporcionou durante esses quase dez anos.
É muito estranho mesmo pensar que eu estarei na Bienal pra apresentar meu livro para as pessoas fora do círculo de leitores e amigos. É estranho pensar em pessoas aleatórias e diferentes conhecendo a Marina e o Daniel, talvez se interessando o suficiente para levá-los pra casa e descobrir um pouquinho mais a respeito do universo deles.
Há alguns dias brinquei que não tem como meu livro não ser o protagonista da Bienal, já que é a primeira vez em que teremos um país como convidado de honra e é logo a Espanha. E, óbvio, temos o fato de que a seleção espanhola foi campeã mundial esse ano pra divulgar Driblando as Regras (principalmente com o Sergio Ramos levando a taça.
Só que na mesma cabeça que pensa nessas gracinhas também vive uma voz (não muito baixa) que desacredita nessa história e em quem a idealizou, escreveu, revisou e editou. Às vezes ela fala alto, mas prometi que vou (pelo menos tentar) deixá-la longe do Distrito Anhembi e vou confiar que por lá estarão pessoas que vão amar conhecer a Nina e o Dani o suficiente para levá-los embora consigo.
O Estande H85 vai ser a casinha do meu livro por uns dias em setembro e eu torço para que ele encontre vários lares e que as pessoas gostem de tê-lo dividindo o mesmo teto que elas.
Assim como eu o amo e me sinto honrada de dizer que ele é meu primogênito.
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